segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Carta sem nexo


Caro papai, ontem fez uma bela noite!
 O Sol brilhava entre as trevas. 
E eu, sentado em uma pedra de pau, à sombra de uma árvore sem troncos nem galhos, escutava atentamente um mudo falando consigo aos companheiros: 
- Prefiro mil vezes a morte à vida...
 Ao longe, próximo dali, havia um bosque sem árvores. 
Os pássaros saltavam de galho em galho, e os elefantes descansavam à sombra de um pé de couve.
 Corri devagar em direcção à minha casa, e entrei pela porta dos fundos que fica na frente.
 Como já era cedo, deitei o paletó na cama e me pendurei no cabide, onde, após dormir um bom sono, sonhei que estava acordado.
 Aí, dei marcha a ré e rumei para o banheiro, onde me serviram o jantar.
 Depois de ter comido o guardanapo, limpei a boca com o bife, olhei para o lado e vi um cego lendo um jornal religioso sem letras, que dizia:
 "Os quatro evangelistas são três: Esão e Jacu."

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